A África do Sul é o país mais meridional do continente africano, banhado pelos oceanos Atlântico e Índico, que se encontram no Cabo da Boa Esperança, local que abriu para o mundo novas rotas em direção às Índias, cruciais para as Grandes Navegações e as descobertas . Seus 1,2 milhões de quilômetros quadrados, divididos em nove províncias, abrigam paisagens que têm tirado o fôlego de milhares de viajantes todos os anos, mas, não foi sempre assim. O turismo sul-africano pode ser dividido em antes e depois do apartheid. O regime de segregação racial, que durou de 1948 até os anos 90, de certa forma afastou uma grande parcela dos turistas que, em geral, “fogem” de regiões com forte instabilidade política. ( se quiser saber mais sobre o Apartheid, clique aqui)
Entretanto, com o final do regime ( abolido por Frederik de Klerk, em 1991 e, em 1994, eleições livres foram realizadas), o país começou a mudar este quadro, investindo fortemente na indústria do turismo para gerar novos postos de trabalho e renda para a África do Sul. Com um turismo ainda incipiente, o país tornou-se, em pouco tempo, um dos destinos de crescimento mais rápido do mundo em entrada internacionais, contribuindo com 8% do PIB e empregando cerca de 3% dos trabalhadores sul-africanos. Para avaliar o interesse crescente dos turistas por esse país, basta lembrar que em 1994, cerca de 3.668 milhões de visitantes internacionais chegavam à África do Sul. Em 2005, o movimento cresceu 101%, chegando aos atuais 7.368 milhões de turistas.
Um dos motivos para o aumento desse fluxo é a variada opção de atrativos que o destino oferece, onde o turismo de aventura ainda representa a maior parcela da demanda. Mas também há opções históricas, como os tours pelos campos de Batalha da Guerra dos Bôeres e por diversos locais que relembram a derrubada do apartheid ou passeios de degustação, como os que passam pelas vinícolas, e as opções ecoturísticas, que vão dos safáris fotográficos até a observação de baleias, passando pelo mergulho com tubarões e uma visita à praia dos pingüins.

Na esteira desse crescente interesse mundial pelo destino, o Brasil não ficou atrás. A emissão de brasileiros para a África do Sul tem aumentado nos últimos anos. Desde 2001 o país já enviou mais de 100 mil viajantes, que chegam aos destinos atraídos pela facilidade de experimentar uma vida selvagem diversificada da nossa, aliada à uma infra-estrutura de primeiro mundo.

Com tantas ofertas de passeios, aliadas à boa infra-estrutura do setor e à qualidade dos serviços, os brasileiros já começaram a ser atraídos para conhecer mais sobre o país. Mas ainda faltava alguma coisinha que realmente conquistasse este mercado. A resposta veio em poucas palavras: divulgação, preço e hospitalidade. A primeira tem sido amplamente realizada por operadoras de viagens, agências, pela South African Tourism e pela Cia. Aérea South African Airways. A segunda, na verdade, sempre existiu. Mas faltava informar aos brasileiros que a África do Sul não era um destino para uns poucos privilegiados, mas também para os viajantes de classe média. O terceiro, a hospitalidade sul-africana, tem circulado através da divulgação boca-a-boca dos que já foram lá para ver e constatar. Entre eles os operadores de viagens brasileiros, que não cansam de ressaltar as qualidades daquele país: “ Nos surpreendemos com a África do Sul a cada visita que fazemos, pois o mesmo está sempre superando as expectativas e, com o passar dos anos, cada vez mais pacotes para lá tem sido comercializados. Os sul-africanos têm consciência de que o Brasil é um mercado importante para o produto deles e o órgão oficial de turismo, a SAT e a SAA, sempre proporcionam algo para incentivar a vender mais.” Outro operador diz: “ Aprecio muito os safáris fotográficos, que já fiz em cinco lodges ( reservas) diferentes, mas a emoção é constante, pois nenhum é igual ao outro. A África do Sul é um destino de bom custo-benefício, porque tem muita emoção, luxo nos lodges e resorts, boa gastronomia, boas compras e tudo barato”. Outro acrescenta: “...a hospitalidade inigualável da população, a gastronomia local, que não fica devendo nada a ninguém, tornam este lugar inesquecível.”
Os países da África Austral oferecem ao turista uma diversidade sem paralelos de destinos de lazer e experiências únicas, que incluem picos cobertos de neve, praias exuberantes, recifes de corais, atrações culturais, vida selvagem e esportes ( radicais ou não). Dentro dessa enorme diversidade, a África do Sul mostra-se o sonho de viagem de milhares de pessoas do mundo, sonho este que tem chegado cada vez mais ao imaginário dos brasileiros. Isso não é tão inacreditável tomando-se como exemplo o imenso leque de opções que o destino tem a oferecer. Os amantes do turismo de aventura e esportes encontrarão facilmente trilhas para escaladas, locais para balonismo, rafting, surf, bungee jumping ( o maior bungee jumping comercial do mundo está lá) e até mesmo campos de golfe ultramodernos. Já os adeptos do turismo cultural poderão incrementar seu conhecimento passeando por antigos campos de batalha ou por sítios arqueológicos onde foram descobertos alguns dos mais antigos exemplares de hominídeos.
Há também os que são atraídos por belas praias, pelo pôr-do-sol das savanas, pelos safáris fotográficos ( preferência de 10 entre 10 brasileiros), pelo mergulho, pelo turismo ecológico e pela observação de animais.
País multifacetado culturalmente, a África do Sul às vezes parece mais de uma nação. A herança africana fortificou-se após a derrubada do apartheid.
Forte também é a influência européia, que pode ser vista nas cidades e nas regiões vinícolas. Dessa forma, a África do Sul demonstra que não é apenas um destino de viagem qualquer, mas uma experiência, que permanecerá na memória daqueles que a visitam.
A melhor maneira de começar essa visita é a porta de entrada, ou seja, por Johannesburgo, capital financeira do país. Localizada na província de Gauteng, o turista poderá desfrutar de conforto e diversão nos ótimos hotéis-cassino, de conhecimento e lazer nos museus históricos e artísticos, de boa gastronomia, enfim, de tudo que uma metrópole cosmopolita pode oferecer. Na mesma província está Pretória, capital administrativa, que merece ser conhecida por sua arquitetura vitoriana e, claro, para partir de trem para as savanas a bordo dos luxuosos e mundialmente famosos Rovos Rail e Blue Train.
Saindo do ponto de entrada, outras duas grandes cidades são obrigatórias para o viajante: Durban e Cape Town ( Cidade do Cabo). A primeira, balneário às margens do Oceano Índico, é um dos destinos de férias mais importantes do país, cuja população de maioria indiana confere à cidade uma cultura diferenciada por ter-se mesclado, ao longo dos anos, com a cultura zulu. Esta cidade foi, anos antes da libertação da Índia, lar adotivo do Mahatma Gandhi.
A segunda, Cape Town, está diretamente ligada à história da colonização sul-africana e à das Grandes Navegações dos séculos XV e XVI. Afinal, foi por ali que Bartolomeu Dias contornou o continente, descobrindo a ligação entre o Atlântico e o Índico, que seria utilizada na rota para as Índias por Vasco da Gama e outros navegantes. Cape Town, esquina do mundo para os navegantes, é um local onde o cosmopolitismo convive harmoniosamente com a natureza e com a história ( antiga e recente) do país. Onde há shoppings e restaurantes luxuosos, mas também a bela Table Mountain ( Montanha da Mesa), que se debruça para a cidade como a protegê-la. Um mar tormentoso do Cabo da Boa Esperança e praias como a Boulders, onde se pode observar pingüins em qualquer época do ano. De lá também é possível ir à Ilha das Focas ou a Robben Island, local que foi a prisão, por 27 anos, de Nelson Mandela, líder do movimento anti-apartheid.
De Cape Town chega-se à região dos vinhos ( Cape Winelands) com suas paisagens marcadas pela influência européia e vales repletos de parreiras de uvas verdes, onde o turista apreciará o mundialmente conhecido vinho sul-africano.
Todas essas rotas estão incluídas na maioria dos pacotes de viagens, junto com as duas grandes preferências entre os viajantes brasileiros: Sun City e o Kruger Park. A primeira, pelo luxo que oferece e pela curiosidade em conhecer o hotel The Palace. A segunda, pelos safáris. Sun City, localizada na província North West, está há cerca de duas horas de Johannesburgo e, por muitos anos, foi símbolo do regime segregacionista e alvo dos protestos internacionais contra a discriminação. Esse complexo turístico, que abriga cassino, centros de lazer para adultos e crianças, com cinemas, restaurantes, ET, além de centros de convenções, conta com quatro hotéis: o Cascades, o Sun City Main, o Cabanas e, claro, o The Palace Hotel at Lost City, que, com seu luxo extremo, foi o primeiro hotel a ter seis estrelas em sua classificação. Hoje há hotéis muito mais sofisticados que o The Palace, mas a fama dele não se acaba.
O Kriger Park é um dos mais conhecidos parques nacionais do mundo e um dos mais antigos. Com cerca de dois milhões de hectares, se estende pelas províncias de Mpumalanga e Northern, contando com 300 espécies de árvores, 33 espécies de anfíbios, 114 de répteis, 50 de peixes, 507 espécies de aves e 147 de mamíferos, entre eles os leões, elefantes, girafas, leopardos e muitos outros.
Um dos maiores destaques do turismo sul-africano é a excelente infra-estrutura do setor. Seja em termos de hotelaria, gastronomia ou transportes, o país não fica devendo nada aos destinos de primeiro mundo. Na área de hotelaria, a África do Sul possui uma grande variedade de opções que servem desde o viajante de primeira classe até o mochileiro. São hotéis de luxo, chalés, apart-hotéis, albergues da juventude e, até mesmo, hotéis do tipo “bed and breakfast” ( cama e café da manhã). A gastronomia também é bem globalizada, com um sem número de restaurantes para todos os gostos e bolsos.
É na área de transportes, entretanto, que o país mostra porque é o mais visitado do continente. Servido por boa malha aérea, estradas de ferro e ônibus de luxo, o turista não tem o menor problema em se deslocar de seu ponto de chegada para qualquer outra parte do país, que possui três aeroportos internacionais ( Johannesburgo, Cape Town e Durban), e oito domésticos ( Bloemfontain, Port Elizabeth, East London, George, Kimberley, Kruger Mpumalanga, Polokwane e Pietermaritzburg).
Há ainda várias opções ferroviárias, como os Spoornet´s ou os luxuosos Blue Train e Rovos Rail, trens cinco estrelas, nos quais o viajante pode desfrutar da elegância e do luxo, enquanto viaja por cidades ou pelas savanas do país. O Rovos, considerado o mais luxuoso do mundo, é o único que oferece os cenários naturais com glamour.
Além dos safáris no Kruger Park, há outras e boas opções para fazer safáris. Primeiro o visitante deve ir a um dos lodges, que são totalmente integrados à natureza, com a savana em volta, tomar banho no meio da natureza ( alguns têm chuveiro fora), e entrar no clima. Sair bem cedinho ou no final da tarde para ver os animais, o que é uma experiência incrível. Observá-los no seu habitat, ouvindo as explicações dos rangers ( uma espécie de guardas florestais) sobre as características de cada grupo de animais.
Enfim, depois de ver aquele sol vermelhão nascer no meio de uma savana, não há mais jeito: é se apaixonar para sempre!
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