
As receitas do turismo mexicano podem diminuir pelo segundo ano consecutivo, afetadas pelos violentos confrontos entre traficantes e pelo frágil mercado de trabalho nos EUA - o que ameaça estragar a tradicional "spring break", semana de feriado festiva para os estudantes americanos.
Os hotéis de Cancún e Acapulco estão registrando um influxo menor de turistas em idade universitária. As operadoras de turismo acham que isso se deve a meses de notícias negativas sobre o país, como massacres e guerra de gangues de traficantes.
A agência municipal de promoção de turismo de Acapulco prevê uma queda de 30% no número de estudantes americanos no spring break. Segundo Piquis Rochin, diretor de promoção internacional da agência, o total de turistas no feriado americano deve ficar em pouco menos de 18 mil.
"A crise econômica ainda está nos prejudicando um pouco, mas o principal fator negativo agora têm sido as notícias sobre violência", disse Rochin.
O turismo é a terceira maior fonte de dólares do país, atrás apenas do petróleo e do envio de dinheiro por imigrantes. E o turismo internacional caiu pela primeira vez em uma década no ano passado. Em meio a uma economia global em crise e a uma onde de medo por causa da gripe A/H1N1, chamada de gripe suína, as receitas do setor caíram de US$ 13,3 bilhões em 2008 para US$ 11,3 bilhões em 2009.
Em Acapulco, 32 pessoas foram mortas do dia 12 ao dia 15 deste mês. A morte de três pessoas ligadas ao Consulado dos EUA em Ciudad Juárez, na semana retrasada, gerou condenação por parte do governo americano e aumentou a sensação de insegurança por parte dos turistas vindos do vizinho.
"Quando o governo dos EUA faz uma declaração assim, isso nos afeta", disse Marina Colunga, diretora de relações públicas do JW Marriott de Cancún.
A violência não está tendo grande impacto sobre os investimentos estrangeiros, disse o ministro das Finanças do México, Ernesto Cordero. Mas, para ele, "está claro que teremos um impacto negativo de curto prazo no turismo", por causa da violência. "Teremos de esperar para ver os resultados do 'spring break'."
A violência pode cortar o crescimento econômico do México em um ponto percentual, por causa da redução do turismo e dos investimentos, disse Gabriel Casillas, economista-chefe do JPMorgan Chase na Cidade do México.
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